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04/11/2010 - 19:09

O triste fim do ingênuo patriota excessivo

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"Policarpo Quaresma" é a nova pérola da coleção de obras-primas de Antunes Filho

Crítica de Michel Fernandes da peça “Policarpo Quaresma” na íntegra (michel@aplausobrasil.com)

Versão impressa no jornal Diário de São Paulo de 03/11/2010

A genialidade do autor Lima Barreto criou o romance “Triste Fim de Policarpo Quaresma”, em que critica o positivismo dominante, instaurado com o regime republicano. Na obra são apresentados os desdobramentos tragicômicos que afetam a figura do “Major” Quaresma, um patriotismo excessivo e ingênuo. Antunes Filho e o Grupo Macunaíma/ CPT recuperam a reflexão proposta pela obra no espetáculo “Policarpo Quaresma” – em cartaz no Teatro SESC Anchieta (SESC Consolação) -: “até que ponto há ética no poder?, Até que ponto ter poder suporta que sejamos éticos?”.

A chave da concepção de Antunes é clara desde a primeira cena: é uma opereta bufa calcada nas ingênuas crenças de Policarpo Quaresma (interpretado com minimalismo de excepcional comediante por Lee Thalor que sabe utilizar, com maestria, seus recursos corporais e vocais, adjuntos a sua inteligência). O personagem busca, solitariamente, signos que valorizem a nação como se a mudança para o idioma tupi, a recuperação da moda de viola como “expressão da arte nacional”, a escolha de tecidos “nacionais” para compor seu guarda-roupas, entre outros, bastassem para solidificar valores para a formação de uma nação.

Quaresma, aqui, toma uma posição arquetípica que espelha a nós, em sua maioria, nesses sombrios dias em que valorizamos os feitos dos políticos que ocupam altos postos de poder, fazendo vistas grossas a seus meios nada éticos para alcançarem seus objetivos. Os exemplos aqui, infelizmente, são muitos: dos incontáveis escândalos de corrupção à sordidez da campanha presidencial deste ano. Leia mais »

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01/06/2010 - 16:18

Policarpo Quaresma, um encontro de gênios

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Afonso Gentil, especial para o Aplauso Brasil (aplausobrasil@aplausobrasil.com)

Uma, de muitas, cenas antológicas de "Policarpo Quaresma"

A boa notícia vinda do CPT, que ocupa o Teatro Sesc-Anchieta com Policarpo Quaresma, com texto de Antunes Filho baseado no romance Triste Fim de Policarpo Quaresma do, também genial (mas, injustiçado), escritor Lima Barreto, vai ganhar mais algumas semanas naquela sala, graças ao sucesso de público, até o fim de julho.

Policarpo Quaresma é mais uma prova irrefutável da ebulição criativa que agita nosso mais completo, lúcido e coerente encenador Antunes Filho, senhor absoluto da caixa preta que ele sempre povoou de movimentos, luzes, cores e sons, em montagens antológicas, em seus mais de 50 anos de uma carreira sem hiatos. Leia mais »

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21/01/2010 - 15:30

Antunes virou dramaturgo

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Maria Lúcia Candeias, especial para o Aplauso Brasil

Antunes Filho escreve musical em homenagem a Lamartine Babo

Antunes Filho escreve musical em homenagem a Lamartine Babo

Consagrado encenador brasileiro, Antunes Filho estreou na dramaturgia com a peça Lamartine e se saiu muito bem. Não foi pesquisar minuciosamente a vida de Lamartine Babo, grande compositor popular (1908/1963) de sucessos eternos como Eu Sonhei que Estavas Tão Linda, O Teu Cabelo Não Nega, Linda Morena, No Rancho Fundo, bem como hinos para campeões do futebol carioca como “uma vez flamengo, flamengo até morrer”. Compôs também para um time gaúcho entre outros. Mas é como sambista e mestre das marchinhas que está enfocado no ótimo texto curto.

Como não poderia deixar de ser, trata-se de um excelente musical com a maior parte do elenco se apresentando em coro e cantando lindamente sob direção de Fernanda Maia. E não é á toa, pois foi ela, juntamente com Zé Henrique da Paula, quem primeiro transformou Senhora dos Afogados, de Nelson Rodrigues, em teatro musicado.

É imperdível. Mesmo sem a direção de Antunes que confiou a tarefa a Emerson Danesi que deu bem conta do recado. Coisas do CPT (Centro de Pesquisa Teatral do Sesc Consolação) que tem formado bons profissionais.

Vale destacar que todos esses acertos se devem sem dúvidas à impecável interpretação do elenco que traz nos papéis centrais Sad Medeiros, Adriano Bolsch e especialmente Marcos de Andrade que faz um Silverinha (ou seria um Lamartine?) com perfeição. Leia mais »

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16/09/2009 - 16:51

Antunes Filho: Reinventor de Si-mesmo

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<I>A Falecida Vapt-Vupt</I>

A Falecida Vapt-Vupt

A FALECIDA VAPT-VUPT

 

Aos oitenta anos e com mais de meio século dedicados ao teatro, Antunes Filho não se fixou à forma teatral que o eleva ao Olimpo da direção teatral, ocupado por poucos diretores de talento e criatividade indescritível, e em sua terceira incursão à tragédia carioca de Nelson Rodrigues, A Falecida que, agora, ganha o sobrenome Vapt-Vupt, ele se reinventa e nos traz a uma instigante viagem a novos campos de percepção. Isso não quer dizer que ele deixou de lado o extremo rigor n campo da interpretação, não no que respeita ao “formalismo” – que já virou jargão entre alguns que não conseguem comungar do prazer estético proposto por Antunes -, mas na exigência que nos propicia interpretações cada vez melhores de Lee Thalor que com a novata Bruna Anauate, uma revelação primorosa, forma o casal protagonista da peça.

 

A FALECIDA VAPT-VUPT de Nelson Rodrigues, direção Antunes Filho. (60 min). Espaço CPT (sétimo andar) 70 lugares. Sextas às 21h e sábados às 19h e às 21h. 12 anos. Rua Dr. Vila Nova, 245. Tel: 11 3234-3000.

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